PROJETO
FENÔMENO CANGAÇO: O LAMPIÃO QUE NÃO SE APAGA
Alunos líderes: José
Fábio Cardoso Siqueira Correia
Erika Letícia da Silva
de Lima
Professora
Coordenadora: Maria Margarete de Oliveira
Palavras Chaves:
cangaço- influências-cultura
O Fenômeno Cangaço foi uma pesquisa tão rica e prazerosa que o projeto envolveu toda comunidade escolar que se empenhou e desenvolveu os trabalhos. Um dos objetivos principais do projeto foi manter viva a luz da nossa cultura ofuscada pelo tempo. Através de pesquisas no Museu do Cangaço, com historiadores e pessoas conhecedoras de fatos sobre o cangaço, foi possível fazer um levantamento acerca da influência desse fenômeno na alimentação, no vestuário destacando a confecção de roupas com o couro, na dança popular, na música e na arte da cura com plantas medicinais extraídas da caatinga.
| Geografia e Música no Cangaço |
A pesquisa se entendeu para o campo da
literatura de cordel e outros livros que abordam o assunto. A leitura de
cordéis mostrou-se de fundamental importância para o conhecimento desses fatos
acerca do cangaço, da entrada de mulheres no bando e da participação destas na
humanização desse fenômeno, muitas vezes impedindo a crueldade dos homens. Para
alguns cangaceiros a entrada das mulheres nos bandos foi vista como a decadência
e desgraça do cangaço; para outros, as mulheres vieram aplacar a fúria
assassina e o desejo sexual disforme que tanto feriu e humilhou as famílias
nordestinas. Com a chegada e a permanência feminina, os cangaceiros adquiriram
mais respeito com as mulheres, diminuindo consideravelmente os terríveis
estupros. Outro fato abordado é o fascínio das pessoas marginalizadas e
oprimidas pelos cangaceiros, considerados heróis.
Além dos cordéis, os romances da geração de
30, como Cangaceiros de José Lins do Rego que aborda a temática do cangaço e do
flagelo do sertão nordestino castigado pela seca. Outra forma de pesquisa foi
por meio de músicas, principalmente as de autoria do cantor Luiz Gonzaga que muito
bem retratam o Nordeste em todas as dimensões, além de várias músicas sobre a
bravura e modo de viver dos cangaceiros. A partir do estudo dessas músicas e
dos cordéis, os alunos formaram um coral intitulado Vozes do Cangaço que passou
a ecoar as músicas Mulher Rendeira, Acorda Maria Bonita e outras de interpretação
de Luiz Gonzaga na nossa comunidade, deixando um legado de cultura e
valorização pela nossa origem. Certo de que essa influência é claramente
perceptível nos mais diversificados segmentos da nossa cultura tendo em vista
que interferiu na alimentação, na arte, na dança, na medicina popular e na
música, como claramente percebemos ao falarmos do rei do baião Luiz Gonzaga que
tinha dentre as mais importantes composições o retrato do cangaço, além disso,
o próprio Luiz Gonzaga personificava um cangaceiro, com chapéu e vestimenta,
além de muitas vezes aparecer como membro da volante, mostrando uma espécie de
guerra civil em suas apresentações.
![]() |
| Cordéis |
| Costumes de comidas dos Cangaceiros |
O projeto tem como intuito resgatar os
valores culturais nordestinos que por muito tempo foi esquecido, mostrado o
reflexo desse fenômeno ainda nos dias atuais.
Influenciados
pela pesquisa, outros alunos formaram o grupo de xaxado, dança típica dos cangaceiros.
Com o nome “Pirilampos do Sertão”, eles mostraram os passos e significância da
dança, acendendo o brilho da nossa cultura popular.
E
como a história só tem significado quando é comprovado o conhecimento, foi por
meio de observação real no Museu do Cangaço, da visita de campo por lugares que
apresentam indícios desse fenômeno que os alunos puderam perceber a importância
de vivenciar, preservar e divulgar a nossa cultura, as nossas raízes.
Na
nossa comunidade há vários indícios da passagem do cangaço. Foi realizada uma
pesquisa de campo na fazenda de um coiteiro do cangaceiro Lampião. Hoje o local
serve de acervo histórico por preservar objetos e fotos da época desse
fenômeno, inclusive um banco de madeira de preferência do cangaceiro. Além
disso, desenvolveram as memórias literárias entrevistando entes familiares,
como avós, bisavós e pessoas que viveram mais próximas àquela época. O relato
dessas pessoas despertou nos alunos o gosto e a motivação pela pesquisa.
| Dança do Xaxado - Pirilampos do Sertão |
O Projeto Fenômeno Cangaço: o lampião
que não se apaga despertou nos alunos o gosto pela nossa cultura e eles
passaram então, a disseminar esse fascinante mundo, mostrando que temos valores
culturais. Na exposição realizada pelos alunos na nossa comunidade ficou claro
o quanto a aprendizagem foi significativa. A amostragem da influência do
cangaço na nossa região ficou comprovada, além do conhecimento apresentado
pelos alunos a respeito desse fenômeno. Uma simples casa de sapê, construída
para mostrar o modo de viver dos nordestinos perdidos na caatinga, tornou-se o clube
do cordel, onde a cada semana os alunos reproduzem e trocam cordéis para
leitura. Esse espaço hoje é aberto ao público para divulgação de leitura e do
projeto.
Como resultado desse projeto percebe-se
o entusiasmo e a curiosidade dos alunos para conhecer mais sobre a nossa
cultura regional e nacional. Além de desenvolver uma visão crítica a respeito
da situação do Nordeste da época aos nossos dias que continua sendo marginalizado
e esquecido.
O
intuito do projeto não é homenagear os atos cruéis dos cangaceiros, nem gerar
questionamentos a respeito de nenhum deles, mas mostrar a influência que o
cangaço projetou e que ainda hoje é claramente perceptível. Foi possível fazer
um estudo detalhado das cangaceiras e de seus companheiros, o papel da mulher e
principalmente como eles viviam; muitas vezes refugiados no meio da caatinga e
raros momentos em casas de pessoas que forçadamente os apoiavam- os chamados
coiteiros. Os alunos tiveram uma oportunidade única de conversar com a filha de
um coiteiro de Lampião, o coiteiro Antônio da Piçarra. Em entrevista a filha
relata a história da passagem de Lampião nas terras de seu pai, o envolvimento
dele com o bando do cangaceiro e a forçada traição de seu pai a Lampião. Ela conta
para os alunos como era alimentação fornecida a Lampião por seu pai e
presenteia com um livro para leitura sobre a saga de Antônio da Piçarra – de
Padre Cícero a Lampião. Amigo e afilhado de Padre Cícero, Antônio da Piçarra
recebia conselhos de Padre Cícero para manter Lampião resguardado na sua
fazenda em Brejo Santo.
| Coral cantando música que retratam o cangaço |
A
pesquisa sobre esse fenômeno vai muito além da história, da geografia e da
literatura por mostrar as marcas profundas da influência do cangaço no modo de
viver, de se alimentar, na música, na dança, na arte de curar ferimentos e
doenças, nas crenças e vestimentas do sertanejo. Tudo isso faz com que o
projeto Fenômeno Cangaço seja de cunho cultural e de importante instrumento
para o estudo da cultura nordestina. Por isso não devemos deixar apagar essa
luz da memória daqueles tempos em que o nordestino, segundo o escritor Euclides
da Cunha, era e é antes de tudo, um forte. O nordestino deve se orgulhar da sua
formação, da sua terra árida e seca, mas acolhedora. Deve se orgulhar de sua
vegetação espinhosa, única nessa região. O nordestino deve se orgulhar da sua
cultura e não deixá-la apagar.

Rico trabalho, este que envolveu vários jovens , esses que repudiam tanto a cultura regional na atualidade! -> Sou um amante da cultura regional salientando a do cangaço, parabéns! E mais sucesso!
ResponderExcluir