Após
a segunda aula de campo, como processo de incentivo à escrita, foi proposto aos
alunos das turmas participantes uma visita ao Museu do Cangaço, município de
Triunfo- Pernambuco, um relato sobre a observação.
A seguir um dos relatos
Relato
sobre a visita ao museu do cangaço- com o
olhar a partir do Projeto Fenômeno Cangaço: o lampião que não se apaga.
A
escola profissionalizante de Brejo Santo, EEEP Balbina Viana Arrais, está com
um projeto relacionado ao Cangaço, fenômeno que aconteceu no nordeste
brasileiro. O projeto Fenômeno Cangaço:” o lampião que não se apaga”,
desenvolvido pela professora Margarete Oliveira e os alunos dos 2ºs e 3ºs anos,
mostra diversas características e curiosidades importantes sobre esse movimento
e também sobre seus participantes como, por exemplo, o rei do Cangaço,
Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião.
Para
melhor entendimento dos alunos, a escola realizou uma aula de campo no dia 14
de setembro na cidade de Triunfo, em Pernambuco, a partir da qual os estudantes
puderam conhecer um pouco mais sobre esse assunto.
Fomos
primeiramente conhecer o teleférico da cidade e apreciar a vista maravilhosa
que se tem de lá. Logo depois nos dirigimos para o museu onde pudemos ver
vários instrumentos, armas e utensílios utilizados pelos cangaceiros e pela
polícia daquela época, como também objetos bem antigos usados naquele período.
Havia também várias fotos de Virgulino, Maria Bonita e o temido bando de cangaceiros;
porém, as fotos que mais nos chamaram a atenção foram as das cabeças de
Lampião, parte do seu bando e Maria Bonita expostas em uma escadaria .
Ao saírem do museu fomos todos ao
balneário Águas Parque para almoçar e aproveitar a tarde em um local super
agradável. No balneário, além do banho de piscina, conhecemos a Cachaçaria, o
Engenho de Rapadura, além da Fábrica de Chocolates e a Casa do Papai Noel, já
que , em alguns meses do ano, chega a temperaturas mais baixas o que a difere
de outras cidades nordestinas. Foi uma aula de cultura e lazer.
Ao
final da tarde, era hora de voltar para a nossa cidade. Estávamos renovados,
satisfeitos e conhecedores do famoso Cangaço e da bela cidade pernambucana
cheia de atrações. No ônibus a imaginação foi além, observando a paisagem seca
e espinhosa da caatinga. Ficamos a pensar na dura vida dos cangaceiros, vítimas
da desigualdade que até hoje perdura no nosso Nordeste tão castigado pela seca.
Na nossa mente uma interrogação: Por que homens e mulheres daquela época
ingressavam no cangaço? Respostas que buscaremos em pesquisas agora. Foi
maravilhoso trilhar por alguns caminhos da nossa história, ver que esse
fenômeno deixou influências marcantes na nossa música, no nosso modo de tratar
de algumas doenças, na nossa alimentação, na dança e principalmente na
Literatura de Cordel.
A história, assim como qualquer aula, só tem
significado quando podemos comprovar o conhecimento, através da prática, por
meio da observação. E assim foi possível visualizar no museu a verdadeira
história do cangaço. Olhar naquela cidade aconchegante os resquícios da
presença da história, tão preservada ainda como nas residências e igrejas de
arquitetura barroca; o primeiro gerador de energia da cidade e o engenho que,
além da preservação da história, tem a preocupação com o meio ambiente e com
alimentação saudável, usando apenas
materiais orgânicos na plantação de cana de açúcar e na produção dos seus derivados, no caso a rapadura
e a cachaça.
Adentrar
na cultura nordestina nos faz sentir orgulho. Ver a nossa terra
seca, esqueletos de gado na estrada, trabalhadores enfrentando o
calor na roça, a nossa vegetação tão
espinhosa ,nos faz lembrar o belíssimo pensamento do escritor Euclides da Cunha
“o sertanejo é ante de tudo, um forte.”
Juliana
Carvalho
Temática: A alimentação no cangaço
Participar desse projeto foi muito
gratificante porque nos proporcionou uma visão do que foi a formação da nossa
história, dos nossos costumes e da nossa cultura. Tudo que vivenciamos nos
levou ao conhecimento da influência deixada por esses bravos e destemidos
guerreiros do sertão. Embora classificados por muitos de bandidos cruéis, os
cangaceiros eram apenas frutos da injustiça social predominante até hoje na
região Nordeste.
O
que vivenciamos no decorrer do projeto não foi só a bravura dos cangaceiros,
mas também o que eles deixaram de influência na alimentação, no vestuário, na
arte de curar ferimentos e doenças, na música, na dança e também no modo de
viver do povo nordestino. Através de pesquisas descobrimos essa influência na
alimentação. Sabemos agora de onde surgiram certos costumes do sertanejo, como
o uso da farinha de mandioca e da rapadura . Além disso, tivemos informações
sobre as dificuldades de alimentos quando o bando encontrava-se na caatinga.
Refugiados nesse local seco e de vegetação espinhosa, os cangaceiros sem mais
alimentos, recorriam a pequenos lagartos, raízes, insetos e cactos,
principalmente o cacto que chamamos de “coroa de frade” que fornecia água e
muitas vezes era misturado à rapadura numa espécie de doce. Outras formas de se
conseguir o que comer, era nas invasões de vilarejos e cidades ou em casas dos
chamados coiteiros – pessoas que acolhiam os cangaceiros, onde o bando era
recebido com um verdadeiro banquete. Além de uma boa comida, bebidas, eles
se divertiam e tinham abrigo.
A
pesquisa, além de muito rica, é uma referência de como esse fenômeno foi
de muita importância para divulgar a história do nosso povo e de como ainda
reproduzimos na nossa alimentação costumes e influências da época. Porque o tempo
passa, mas a cultura e as marcas da história permanecem.
Rebecca
Arrais
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